Quartos de hotéis são espaços encapsulados num território finito reservado e passageiro. Nossas coisas espalhadas, as cortinas e colchas inertes como se cada hospede tivesse levado um pouco da sua vida junto com eles, são as testemunhas de seus segredos. Quantas intimidades, antes da nossa, lá não haviam deixado suas pegadas? Quantos momentos desconhecidos acumulados no colchão, no chuveiro, na maçaneta da porta?

Imaginei rasgos de cenas. Num deles quando a cama desaparece e o amor desliza para um abismo sem cor. Outro em que, sem poesia, solidão ou dor, sem o vazio para interpretar a razão dos porquês, descansa-se em paz. Ainda outro onde se dorme o sono do cansaço. Uma poltrona de avião compartilhada, um quarto de hospital, uma cabine de trem igualmente se configuram como espaços transitórios, deslocamentos de um ponto para o outro.

Movimento de liberdade ou prisão.

Quartos de passagem contam sobre a estranheza de nos encontramos em um lugar desconhecido no qual, por algumas horas, é possível viver um tempo e espaço de liberdade anônima, a não existência de gente e vida, a sensação da imaterialidade da alma.

Este texto foi extraído do livro “21 Quartos de Hotel“, de Bettina Lenci.

Leia a obra completa clicando aqui.

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