Hoje, uma onda de mal estar me acometeu ao ler o jornal. O titulo da matéria, em letras garrafais, é “fronteiras do real”.

Por exemplo: uma obra de Jeff Koons, artista contemporâneo, plantou suas esculturas gigantes de cachorrinhos metálicos em pontos do Central Park ( NY). “Eles são invisíveis para quem passa por lá. As obras se materializam na paisagem só nas telas do celular!” A técnica, o Snapchat.

Igualmente aconteceu com uma obra do falecido Jackson Pollock. Ao focar as suas telas com os phones, as suas obras se metamorfoseian -se em esqueletos que saltam dos quadros ou viram um quebra cabeça ou ainda mostram mensagem de erro como um site que saiu do ar.

No saguão do aeroporto da Bélgica, um imenso painel iluminado entretém os passageiros olhando para um anjo que sai de uma paisagem idílica do paraíso, barroca e bucólica do século XIX, e “voa” de um canto para o outro batendo as asinhas transfigurando o sentido da pintura e plagiando uma obra de arte consagrada.

Isto posto, porque fui acometida por uma onda de mal estar hoje?

O limite da Realidade! Existe um limite? Não sei responder à minha própria pergunta! Mas sei que “A Realidade“ se apresenta diferente para cada qual na mesma proporção que há habitantes na Terra.

Ouso emitir uma visão de bola de cristal: Estamos inseridos em uma progressiva perda da Realidade do que já existiu ao longo do passado criado pelo Homem. Acho que o que conhecemos de virtual, hoje, não é mais uma Realidade a ser conquistada. Ela deixa de ser uma novidade porque nós, do século XXI, já não sabemos como contar a História do passado. Ela não mais será conhecidas e indagadora sobre modos e costumes de um período histórico.

O pouco interesse pelo Conhecimento passa por não mais interpretar a Realidade que foi um dia, esta transposta para uma obra de arte. Vamos conviver com uma arte reinterpretada por imposição do nosso tempo virtual. O Conhecimento do passado desta geração XXI será demarcado a partir do nascer da tecnologia virtual.

Escrevo com saudade, e um tanto melancólica: Não fui educada para viver no século XXI e receio que nunca mais, o que aprendi, servirá para além de mim mesma. Nasci no século XX!

Comentário em “Fronteiras do Real

  1. Thomas Scheier

    Bettina, seu comentário é ótimo mas como voce bem diz, livros, arte e tantas coisas mais que aprendemos apreciar estão parando nos smartphones para quem ainda os quer ver, de resto infelizmente será memória.

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