Minha alma parece dar sinais de não querer mais sofrer”, sussurrou minha mãe da sua cama de hospital para dentro do meu ouvido. Cada silaba do beaba foi sendo filtrada pelo canal auditivo, tocou o cérebro que mandou a mensagem para o meu coração em letras miúdas e apertadas.

Tornei-me a herdeira desta frase!

Ela brota pontualmente no dia de meu aniversário e um arrepio, como nuvem fria, trespassa a minha espinha: não quero sofrer quando receber o sinal da alma que o meu tempo está acabando.

Sou feliz e estarei pronta para me levar junto comigo. Cremarei e desapareço, vivendo a sensação de vestir uma luva de pelica, costurada pelas mãos de artesão da minha vida, finamente ajustada, delicada e suave.

Ela é macia. Branca, como uma ondinha que se afunda e desaparece na areia.

Perdurará depois de mim o único mistério que existe: o da Vida e da Morte e o quanto Deus tem a ver com isso. A invenção me faz companhia!

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