Estive presente em uma missa de sétimo dia. O Te Deum e a Ave Maria nos fazem voltar os olhos ao céu e a alma ao nosso interior. Essa é uma tática inteligente das religiões, todas, aleatoriamente, porque nos enleva ao mistério da vida e da morte.

Foi o que aconteceu comigo neste dia: voltei meus olhos para o céu, olhei para dentro da minha alma e lembrei dos meus mortos. Observei que eram poucos, apesar de eu já ter ido a muitas missas de sétimo dia. Indaguei-me sobre o gostar.

Palavras amorosas do padre, filhos e netos consagraram-na uma esposa, mãe e avó muito especial pela sua maneira carinhosa e alegre. Não tive uma razão específica para gostar ou não desta pessoa. Fui por outra de quem gosto muito, abalada com a sua perda.

As missas me fazem bem. São os minutos de introspecção sobre a morte que iluminam o meu olhar e afastam a dúvida se o esqueleto a cavalo e seu alfanje virão me encontrar.

Encantada com os vitrais coloridos e reflexos sobre a nave da Igreja, meus pensamentos desabaram na pergunta:  gosto da vida? Esbarrei na coragem necessária para sobreviver e indaguei se sou corajosa, covarde ou infiel ao não me deixar embalar docemente nos braços de Deus.

Acho que somos ambivalentes: covardes por ter medo da morte. Covardes por não querer conviver com a possibilidade de que as moiras cegas tecem os fios do destino. Acho que somos corajosos, muito corajosos, justamente, por sobreviver sem saber para que existimos .

Porém esta é outra história que hoje não saberia responder: carrego-a na alma.

Mas é assim que me encontro bem na casa de Deus!

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